Eu tento, mas não me lembro,
Por mais esforço que faça
(Terá sido em Setembro…?),
Quando a luz se tornou escassa,
Quando o ar rarefeito
Me despojou do alento
E logo ali no meu leito
Me lançou no tormento.
De verdade, não me lembro
Quando descer a minha rua
Passou a ser o dobro
Ou o triplo da longura
E a cadeira à secretária
Se tornou amparo urgente
Àquela falha diária
Das pernas, corpo dormente.
Não me lembro, de verdade,
Quando uma conta de somar
Passou a fazer parte
Da Física Nuclear,
Ou quando as cores deste mundo,
Que a ele lhe dão portento,
Desapareceram num segundo
E só ficou o cinzento.
Não me lembro e não consigo
Apanhar aquela malha
Pois no esforço inimigo
A memória me falha.
Terá sido em Setembro?
De que ano? Não me lembro.

«Mente sã em corpo são» não é uma frase oca: é uma necessidade basilar do ser humano.
Um país de gente prostrada em sofrimento não ultrapassa desafios e não cria riqueza, seja ela moral, intelectual ou material.
