Sob o Luar de Outono

A confusão da cotovia


Vi o Sol no horizonte, 
Estrela que sempre de luz foi fonte, 
A subir a passo lento 
Num antigo, eterno movimento. 
 
Afastava aos poucos a escuridão, 
Esticando-a em sombras naquele chão 
Antes de lhe esbater a vaidade 
Com paciência que só da idade. 
 
Nos céus ouvia-se o chinfrim 
De bandos de pássaros sem fim, 
Até que, naquela alegria,  
Se calou a matinal cotovia. 
 
Marchara pelas ruas uma multidão, 
De forquilhas e cordas na mão, 
Que à estrela lançara uma amarra 
E a puxava numa algazarra. 
 
Na certeza que a luz cegava 
E que a realidade deturpava, 
Queriam voltar à doce negrura 
Onde a verdade era mais pura. 
 
Cada um com a força dobrada 
Pela certeza da sua empreitada, 
Puxavam para o vasto e fundo oceano 
Quem culpavam pelo engano. 
 
Queriam, para sempre, extinguir a chama, 
Mergulhando em água, envolvendo em lama, 
Para que o mundo não voltasse a poder 
Olhar para trás e os conseguir ver. 
 
Com tanto ódio e raiva à mistura, 
Assistiu-se ali àquela loucura 
Onde o Sol, numa luta feroz, 
Cedia altura à cegueira atroz. 
 
Ainda mal nasceu o dia, 
Está confusa a cotovia, 
Já começa a escurecer. 
Voltará o Sol a nascer? 

 

 

 


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  É mais fácil dizer que nos estão a enganar do que aceitar as limitações da nossa capacidade de compreensão.

 

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  Há sempre quem prefira atrasar os outros a correr para os apanhar.

 

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