Estou a espumar de irritação,
Quero escrever e não consigo,
Na folha não há inspiração
E o cursor não é amigo.
Os dedos batem no teclado,
Parece música, a batida,
E aquele texto bem suado
É apagado de seguida.
Não sai mesmo nada de jeito
E ouve-se o meu lamento:
Não há uma musa aí por perto,
Que aceite pagamento?
Mas quem me mandou, feita esperta,
Meter-me nestas alhadas
De ter uma página aberta
No meio de tantas inspiradas?
E, em pleno desalento,
Há sempre engraçadinhos
Que da minha falta de talento
Fazem assunto com vizinhos.
Passam por mim e perguntam:
— O Nobel, já estás a vê-lo?
Na mente, os meus punhos levantam
E chegam-lhes a roupa ao pêlo.
Existe também quem, com apreço,
Dá a dica, bem pesquisada,
Para ajudar ao sucesso
Desta minha empreitada:
— O blogue tem de ser alimentado
Com regularidade e carinho,
Uma vez por semana, mimado,
Ou pode morrer devagarinho.
Com tanta responsabilidade,
Deu-me uma oura e desfaleci:
Então, agora com esta idade
É que arranjo um Tamagotchi?!
O rato voou livre da mão,
Quando me deu a tontura.
Já o apanhei do chão,
Mas tenho nova amargura.
O traço que piscava no ecrã,
Agora vê-lo não consigo.
Faço uma busca que é vã:
Até o cursor goza comigo!
Mas porque é que me meti nesta
Da escrita, de criar um blogue?
Julgava que seria farta festa,
Mas é festa de pobre.
Estou aqui bem irritada,
Sem saber o que fazer.
Não consigo escrever nada:
Onde é que me vim meter?!

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Escrever é uma coisa maravilhosa… quando se consegue. Quando nada sai, é uma tortura digna das catacumbas da inquisição.
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Gostava de conhecer quem disse que escrever era fácil. Mas primeiro, deixem-me passar pela cozinha e ir buscar o rolo da massa.
