Eu tento.
De verdade, eu tento
Viver no momento…
Mas o futuro vem de fininho
E ocupa um cantinho,
Pequenino, do pensamento
Que tento manter neste tempo…
Vai conquistando o seu espaço,
Enrola-se no meu regaço,
Até nada mais ficar
Do que nele para pensar.
E o futuro não sussurra
Um arco-íris de ternura
Saído duma nuvem de algodão
De sorrisos em explosão.
Não.
Fala de nuvens carregadas,
De esperanças destroçadas,
De tempestades sem fim
Que partem tudo dentro de mim.
E nunca, nunca, promete abrigo
Que me proteja do fustigo,
E eu digo — Vai-te embora!
Esta não é a tua hora!
E ele responde a sorrir:
— Eu vou sempre existir
E só vou desaparecer
Quando o teu peito deixar de bater.
O meu momento só existe
Naquele futuro triste,
Mesmo ali encostado
Ao agora, mesmo ao lado,
E por mais que eu lance a mão,
Ele escapa na confusão
De ventos que batem forte,
Que riem da minha sorte,
E que nunca dão sossego
À alma presa neste enredo.
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Na vida, haverá sempre momentos de dor. Vive‑os quando chegarem, não em antecipação, ou nunca conhecerás outra coisa para além do sofrimento.
Tenta viver no momento.
