Conheces a triste história
Da cruz chamada suástica,
Símbolo de longa memória
Da cultura euroasiática?
Essa cruz, no mundo a ocidente,
Era um amuleto prezado:
Trazia sucesso iminente
E boa sorte ao arrojado.
Depois de largos milénios
Tida em grande adoração,
Em menos de vinte anos
Estragaram-lhe a reputação.
Os nazis apareceram
Numa força monumental
E dela se apoderaram
Fazendo-a espectro do mal.
Colocaram-na em bandeiras
E levaram-nas bem alto
Para serem vistas nas fronteiras
Que queriam tomar de assalto.
Usaram-nas presas ao braço
Enquanto sem dó perseguiam
Pessoas de outro regaço
Ou que deles em algo divergiam.
Foi tanto o mal que se espalhou
Sob a cruz do braço dobrado
Que este símbolo se tornou
Para sempre, amaldiçoado.
Sabendo eu esta história
Vejo com apreensão
O que se passa agora
Com os símbolos da nação.
Estão enrolados em farpas
De ódio em convulsão,
São usados como armas
De violenta agressão.
Em resposta monta-se o cerco
Contra esta vil ignorância
E embandeira-se em arco
Emblemas de tolerância.
Neste embate de ideias
Entre inclusão e muitas fobias,
As pessoas não ficam alheias
Às trocas de simbologias.
Eu quero cantar o meu hino
Livre, alegre e optimista,
Sem ter como certo o destino
De ser chamada fascista.
Pelo que peço, em agonia,
Arranquem daquelas mãos imundas
Os símbolos da minha pátria,
Salvem-nos das trevas profundas.
Que a pomba branca da paz
Com as quinas se ornamente
E que a esperança que traz
Se una a nós fielmente.
Que a bandeira de sete cores
Sozinha não se descubra
E enrole-se em grandes amores
Com a nossa verde e rubra.
Cantem o hino do nosso povo
Com a «Grândola Vila Morena»
E marchem todos de novo
Contra os canhões desta gangrena.
Que os políticos dos blocos
De esquerda até à direita,
Sejam religiosos ou laicos,
Ergam a nossa bandeira.
Todos juntos conseguiremos
Desarmar aqueles extremos,
Recuperaremos o pavilhão
Que volta para justa mão.
E no alto da estratosfera,
Bem lá no alto, no céu anil,
Mostraremos a nossa bandeira
Abraçada aos cravos de Abril.
E, por favor, não a deixem cair.

Não se pode permitir que os símbolos nacionais fiquem reféns do ódio.
